Agro

Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no 2º trimestre, diz Serasa

2 min de leitura Calcário e Brita Cuiabá

O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados são de levantamento da Serasa Experian, divulgado nesta segunda-feira. Recuperação judicial é o processo pelo qual uma empresa ou produtor rural endividado busca renegociar dívidas com credores para evitar a falência.

O resultado também veio abaixo do primeiro trimestre deste ano, quando houve 474 pedidos, uma queda de 5,5% na comparação entre os dois períodos. Segundo a Serasa, foi a primeira retração para um segundo trimestre desde 2022.

O indicador reúne solicitações feitas por produtores rurais pessoa física e pessoa jurídica, além de empresas ligadas à cadeia do agronegócio. Na comparação anual, os pedidos de pessoa física caíram 10,5%, para 197, enquanto os de pessoa jurídica recuaram 34,2%, para 160.

Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, atribuiu a queda a fatores pontuais. “A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, disse. Ele recomendou cautela: “É importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres”, acrescentou, citando custos elevados e crédito mais seletivo como fatores que seguem pressionando o setor.

Mato Grosso segue como o estado com mais pedidos de recuperação judicial no país, com 107 registros no trimestre, à frente de Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42). Entre as atividades, a soja concentrou o maior número de solicitações, com 70, seguida pela criação de bovinos, com 28.

No recorte por porte, produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários, somaram 70 pedidos. Grandes proprietários tiveram 51 solicitações, pequenos proprietários, 39, e médios proprietários, 37.

Para o produtor de Mato Grosso, o dado reforça que o estado segue concentrando o maior volume de casos de recuperação judicial do país, mesmo com a melhora no indicador nacional. A recomendação da própria Serasa é acompanhar os próximos trimestres antes de considerar a queda uma tendência consolidada, já que o ambiente de crédito seletivo e custos altos continua pressionando o caixa das propriedades.

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